No limite do sonho
Há 28 anos que vivo no limite entre o sonho e a realidade, e hoje venho-vos contar um pouco de como é viver nesta fronteira.
Como sabem, o meu nome é Mariana. O que talvez não vos tenha contado é que, na realidade, o meu nome é Mariana Camacho Pinto e Costa. Nele guardo um mundo de histórias que nunca vivi, mas de tanto imaginar, é praticamente como se tivesse vivido.
Camacho veio do meu avô materno Décio e é um nome tradicionalmente Madeirense. Com ele herdei o amor pelo mar, o equilíbrio no contacto com a natureza e o fascínio pelas paisagens encantadas. Os meus avós maternos eram professores e com eles tornei-me mais rica. Foram eles que me ensinaram a ir muito além do que me era pedido e a ser fiel à minha essência. Foram eles que me passaram o “bichinho” da leitura e da escrita e me incentivavam a criar pequenas histórias e teatros para apresentar nas reuniões de família, ou nas festas da universidade de 3ª idade, onde o meu avô deu aulas até aos 95 anos.
Pinto e Costa é da minha família paterna e vêm de Goa com um cheirinho a Moçambique, pois foi para onde a maioria deles se mudaram, um pouco antes do meu avô nascer. Pinto e Costa (por favor não confundir com Pinto da Costa) trouxe-me a alegria de viver, o pé inquieto ao som da música e o calor nas palavras. Com a minha família paterna conheci a importância de fazer tudo com emoção e com sentimento. Foi com eles que ganhei o gosto de “falar pelos cotovelos” e pelo contacto com as pessoas. É graças a eles que tenho o coração cheio de sonhos, a cabeça perdida em ideias e a vida com muito mais cor. A eles devo a minha genuinidade, a generosidade e a criatividade.
Foi um pouco nestas histórias e em tantas outras, que surgiu a minha paixão, que de tão longa já se tornou um amor, não só pela comunicação em si, mas por tudo o que esta envolve.
A leitura leva-me para outro mundo, deixa-me sonhar, aprender e visualizar a meu jeito. A ler descanso as ideias e deixo-me perder nas ideias que outros criaram.
A escrever perco a noção do tempo. Recolho-me em mim, e ai fico sem a noção das horas a passar. É a minha mais pura forma de catarse e onde materializo um pouco de mim.
A comunicação verbal e não-verbal, essa, vejo como uma forma de arte. Vejo-a como uma das mais genuínas formas de expressão, que nos possibilita demonstrar aquilo que sentimos, acreditamos e somos. É como nos ligamos ao mundo e desta forma, ficamos mais próximos.
É por tudo isto e tanto mais, que as horas não conseguiriam guardar porque hoje estou aqui. É o aperfeiçoar da comunicação para dar forma aos meus projetos e sonhos. É o cumprir com meu propósito e dá-lo a perceber ao mundo. Pois é com a comunicação que dou voz às minhas ideias, e é com a comunicação que passo da fronteira do sonho para realidade.
Eu vivo no limite do sonho e procuro dar voz àquilo que me torna real.

Comentários
Enviar um comentário